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maga rosa

Oficina de artes esotéricas e criativas.

maga rosa

Oficina de artes esotéricas e criativas.

04
Abr20

Quarentena - dia 21

por maga rosa

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As aventuras dos 5, hoje resumiram-se a 2 a aproveitarem ao máximo o tempo bom no quintal. Mas quem é que quer saber de limpezas à casa, de aspirador, balde e esfregona, ou de passar a roupa a ferro, quando se está tão bem lá fora?! (mas sem sair de casa, claro!) Eu nem sou de passar horas ao sol, mas este, a meia-sombra de folhas desenhadas, depois de dias cinzentos e frios, soube tão bem. E a vitamina D tão necessária à boa imunidade.

 

Deu para ficar horas sentada no meu banco azul, a apreciar a vista. A conversar com a minha mãe ao telemóvel. A saborear o bom tempo. A ver o marido entretido por ali. Deu ainda para fazer a barrela da Primavera às roupas da cama da casota da Lana. E arrumar mais um saco de livros na oficina.

 

Desde que a filha se mudou para os aposentos do piso de cima, e os meus livros e mais uma parafernália de objectos conheceram o caminho para os fundos do quintal, que ainda lá andam uns sacos e caixas à espera de um lugar que seja seu. E hoje deu-me para esvaziar mais umas coisas. Encontrei uns livros esquecidos que alguém deixou para trás numas mudanças e vieram comigo. Livros têm alma, não são coisa que se deite fora. Ainda não os li, mas vai ser desta que os folheio e lhes conheço a história. Não são a minha escolha, mas se vieram até mim, por algum motivo foi (ou é, que ainda não os li). Um deles tem por tema um clube de futebol, esse vai direitinho a alguém aqui de casa. Os outros dois vou lê-los com toda a certeza. Mais uns livros com passatempos de quando as minhas filhas eram estudantes. E o meu banco azul ali tão à mão…

 

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… as coisas que eu encontro!

Então não é que no fundo do saco, debaixo dos livros, encontrei um chocolate. Um sino embrulhado em papel prata. Como foi ali parar? Mistério! Fui eu que ensaquei tudo e chocolates é que não foi de certeza. Na casa do fundo está a árvore de natal, sem enfeites, mas aberta. Com certeza a proveniência do presente doce foi dali, esquecido entre os ramos de plástico nu e que por um mero acaso voou direitinho à sacola dos livros. Só pode!

 

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🍀

17
Mar20

O Mundo é a nossa casa

por maga rosa

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Amanhã quando acordares abre bem os olhos e olha bem para tudo.

Ver com atenção é ver tudo como se fosse pela primeira vez.

Ver com atenção é espantar-se de as cores serem como as vemos

sabendo que poderiam ser diferentes e com certeza melhores.

Ver com atenção é também aprender o que querem dizer as coisas.

 

 

ed. da Comissão Nacional do Ambiente –

(do livro de português Nascer2, do 2º ano do ciclo preparatório – edição de 1977)

 

 

Que esta limitação da liberdade e a falta de alguns bens e hábitos aos quais estávamos habituados, nos sirvam para dar mais valor às pequenas coisas da vida. É ver para lá do supérfluo. É ver com o coração.

 

17
Mar20

Quarentena - dia 3

por maga rosa

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Hoje acordámos com um enorme vendaval. Ventania que levou tudo pelos ares e trouxe-nos mais alguma coisa com que nos entretermos. Era a roupa pendurada na corda a secar e que voou. Foram as árvores que se despiram mais um pouco para nos dar o que varrer… E acordámos fora de horas sem despertadores e nem compromissos para nos fazer saltar da cama às pressas.

 

As filhas já tinham ido cada uma para os seus respectivos postos de trabalho.

 

O pão faz falta nas mesas e o dinheiro para pagar aos funcionários também. Reduziram-se horários, limitam-se os produtos à venda e criam-se barreiras. É entrar e andar (ou assim deveria ser). A filhota Helena é uma guerreira.

 

Noutra linha da frente encontrava-se a filhota Diana. As escolas encerraram, as educadoras podem trabalhar a partir de casa, mas há limpezas e desinfecções a fazer e isso cabe às auxiliares. O quase marido, à laia de segurança protector, nem ficava tranquilo se não a fosse levar e buscar. Pelo menos não andou de transportes públicos. Menos mal. À saída passou pelo supermercado para trazer meia dúzia de coisas que nos fazem falta. Comida.

 

Enquanto isso, nós dois, o marido e eu, demos outra cara à arrecadação da oficina. Agora sim, já dá gosto lá entrar.

 

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Desde que a Helena migrou do 1º andar para o sótão que os meus pertences vieram pousar em cima da mesa de trabalho da oficina e em todos os cantinhos possíveis. Desconfio que as mudanças têm o poder da multiplicação. Nem sei como é que aquilo tudo cabia nas prateleiras lá de cima. Eu bem que tentei fazer de conta que nada daquilo é real, que é só uma alucinação, ou uma ilusão de óptica, mas sempre que corro a porta há uma montanha de livros prestes a escorregarem por ali abaixo. E mealheiros, bibelôs, flores de papel…

Hoje armei-me em super mulher e meti mãos à obra, mas perdi-me entre os livros e encontrei algumas preciosidades, como o meu velhinho livro de português do 2º ano do ciclo (actual 6ºano). Fiquei mesmo feliz.

 

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🍀

 

 

02
Mar18

O meu campo de açafrão

por maga rosa

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Não tenho por hábito falar aqui sobre os livros que leio, mas este último levou-me numa viagem incrível por paisagens exóticas e pelos meandros dos sentidos e das emoções, o que fez com que ainda me encontre numa espécie de transe. Ehehehe

Inicialmente achei-o mesmo um pouco chatinho, pelo que levei dias a passar das primeiras páginas. Havia ali umas repetições e tempos verbais a causar-me alergia… Depois, à medida que percorria as vielas labirínticas do enredo, entreguei-me por completo à leitura. Fiquei viciada, é o que é! E quanto mais avançava na história, mais fundo ia dentro de mim mesma…  

 

Todos nós, algum dia, acabamos por encontrar o nosso campo de açafrão, ou seja, o sentido para a nossa vida ou a motivação para seguirmos em frente neste plano existencial. Se bem que, fazer planos para o futuro seja algo ilusório, porque tanto como se fazem também se desfazem, dependendo das encruzilhadas com que nos deparamos.

 

E eu encontrei o meu ao escolher um caminho mais místico, um caminho sem volta. Ou talvez ele já estivesse impregnado no meu ADN, ou trazido das muitas vidas que a minha alma carregou antes de escolher este corpo. Pode bem ser uma herança que só descobri ao fazer esta viagem mais ou menos solitária, ao interior de mim mesma. O certo, é que hoje olho para a vida de uma forma bem diferente e plena. Devo concluir, que encontrei a paz de espírito e ao mesmo tempo a pedra filosofal e o meu campo de açafrão repleto de sensações e de cores mágicas!...

 

 

(Antes que me perguntem, o livro a que me refiro chama-se “O feitiço de Marraquexe” de Rosanna Ley)

 

                                                                                                                                     

                                                                                                                                                Imagem daqui

 

 

06
Nov16

Em jeito de homenagem...

por maga rosa
Imagem via Pinterest


“Primavera

Passou um Verão, passou umInverno. E certa manhã de Abril, a Fada acordou ainda mais cedo do que ocostume. Mal o primeiro raio de sol entrou na floresta, ela saiu de dentro dotronco do carvalho onde dormia. Respirou fundo os perfumes da madrugada e fezuns passos de dança. Depois penteou os cabelos com os dedos das mãos a fazeremde pente e lavou a cara com orvalho.

- Que manhãtão bonita! – disse ela. – Nunca vi uma manhã tão azul, tão verde, tão fresca etão doirada.

E foi pela floresta foradançando e dizendo bom-dia às coisas. Primeiro acordaram as árvores, depois osgalos, depois os pássaros, depois as flores, depois os coelhos, depois osveados e as raposas. A seguir começaram a acordar os homens.”

Sofia deMelo Breyner  
(assim mesmo comosurge escrito na pág. 102 do meu livro da 3ª classe impresso pela casa da moedaem 1973)



Em jeito de homenagem à poetisa e escritora. Sophia de MelloBreyner Andresen faria hoje 97 anos.


Porque escolhi este texto? Porqueo acho lindo. Porque fala da Primavera, a minha estação preferida. E de fadas.E da natureza. E do respeito pelas árvores e pelos animais. E da beleza queexiste nas pequenas coisas…

… e também, porque é um texto quefaz parte do meu livro de Português da terceira classe. Com pena minha, é oúnico que guardo ainda desses 4 anos de ensino (mais a gramática da 2ª classe),e que me traz tantas memórias. Marca o fim de um ciclo e o início de outro. A mudançade casa, de escola, de amigos, de modo de vida…Foi a mudança de profissão domeu pai, consequência do pós-revolução. Nesse verão de 74 tudo mudou. E estelivro, “Caminhos”, que provavelmente pertencia ao plano de leitura anterior,foi adquirido pelo meu pai antes de nos mudarmos. Já na nova escola, percebique não era o mesmo que ali se usava, mas não houve problema. Aquela era umaépoca em que o peso dos livros não era tão grande e as crianças ainda tinhamalguma liberdade (apesar de recém saídos do antigo regime), quanto ao materialescolar. Muitas vezes a professora permitia-me que o levasse para a escola e delelesse alguns textos.  




24
Jul15

"Um Cofre Escancarado"

por maga rosa



Chegou-me às mãos um livromuito especial, tão especial, que o ando a ler com todo o cuidado como se deuma peça rara se tratasse e tão delicada como a mais fina das porcelanas, que aomenor descuido se pode partir…

Tomei a ousadia detranscrever alguns trechos da obra, como uma pequena homenagem ao seu autor,pessoa conhecida das minhas relações. Trata-se de um senhor que nasceu sob asenergias do Sol no signo de Touro, (tal como eu J ) e nopenúltimo ano da 1ª República Portuguesa, o que dá umas boas nove décadas demuita sabedoria e um sem fim de memórias!

Como era habitual noutrostempos em certas alturas do ano, especialmente na época das vindimas, de outrasregiões do país para terras do Ribatejo, vinham os ranchos a que denominavam de“as barroas”. Muitas eram mulheres ainda jovens e solteiras, pelo que,terminado o trabalho no campo, umas voltavam às suas terras e outras ficavampor cá…

Chegado o fim-de-semana, orancho vem para casa. É esperado com ansiedade pelos homens do lagar, elasdurante a semana treinavam em cantigas. Vêm mais queimadas do sol, talvezcansadas mas animadas. Entram no portão largo, desafiadoras, entre risos egalhofas, lançando…

Uma voz que se faz ouvir;

Oh parreira dá-me um cacho,
Oh cacho dá-me um baguinho,
Inda encontrarei o mê amor
Nos passos do mê caminho.

O Caixinha, que ficara de olhona rapariga, não se contém e lança:

Deitei o limão a correr
À beira de ti parou…
Quando o limão te quer bem
Que fará quem o deitou!

A visada responde de imediato:

Vai de roda, vai de roda,
Não ‘tejas com brincadeira
O mê par é guardador
Bota os pintos na capoeira.

Há palmas e assobios, mas oCaixinha reage com calma, suplicante:

Um favor te vou pedir
Amor, aperta-me a mão:
‘Inda espero de ser teu
Só que por ora, ‘inda não!
Mas a rapariga é rápida naresposta:

Já pisaste a uva branca
A uva tinta vais pisar;
Só a mim tu não pisas
Não sou uva p’ró teu lagar!

O Caixinha oscilou face à ‘estocada’.Todos vêem que o rapaz está a ficar ‘pelo beicinho’ com a moça… Reage, porém enuma espécie de apelo atira em voz doce:

Oh cachopa, oh meu carinho,
Oh anjo do meu altar:
Diz um ditado antigo
‘Quem desdenha, quer comprar’!

Antes que a rapariga tenhaoportunidade de responder, o Zé Tomás ‘saca da gaita-de-beiços’ e sai-se com osom de um corridinho mexido.”…

E não é que a cachopa ficou mesmo com o Caixinha?!Juntaram os trapinhos e o rancho regressou sem ela! (conclusão tirada pelacontinuação da leitura)

Ante a Lei das Recordações,não se pode escamotear a verdade…
… nem apagar os erros – se oserros serão tropeços nos escolhos que a vida coloca nos caminhos do aprendizadode conhecimentos…
Sensato seria deixá-los nasombra do passado, como passado que é…
 … mas a mente sã alimenta-se de memórias!

Por tal, e porque as suasmemórias pessoais só a ele pertencem, limito-me a transcrever para aqui, sóalgumas partes que considero que fazem parte das memórias colectivas…

A título de curiosidade,partilho com os meus leitores duas preciosidades de outros tempos:

- Chegou a existir um impostosobre o uso do isqueiro em espaços públicos, pelo que, a falta do respectivocartão para uso do dito cujo, dava direito a multa ou até a prisão na falta depagamento.
Aos fumadores de hoje, quem diriahein??!! Muita gentinha hoje seria presa se essa lei ainda se mantivesse emvigor!

- Um outro dado que não possodeixar passar em branco, as portagens! Ainda nós reclamamos das que temos actualmentenas auto-estradas e das famosas scuts…

E não é que em tempos secobrava portagem a quem passava a ponde D. Luís, à saída da mesma, do lado deSantarém?! Meio tostão era o que cada um pagava ao passar por lá e não era sóde carro, acreditem, porque esses havia-os bem poucos.

Com uma mão cheia (ou asduas!), de cargos repartidos entre Repartições de Finanças pelo país fora,Tribunal e Ensino, ao que se soma ainda o de Director de um jornal regional,entre outras ocupações…Nascido em meio rural, onde o costume ficava-se porseguir as pisadas dos pais e de preferência servir de mão-de-obra gratuita aosustento da família, não era qualquer um que fazia mais do que o ensinoprimário e muitas vezes nem isso! Falo-vos dos idos anos 30 e 40 do séculopassado. No caso deste ilustre senhor, valeu-lhe a sua enorme vontade deaprender e persistência. A par de tudo isto, desenvolveu ainda o gosto (se bemo entendi), pela escrita de literatura policial.

Pelo que é uma inspiração eum incentivo:

O trabalho é, de resto, ogerme da condição humana: física, mental e moral. É no esforço do trabalho queo corpo se desenvolve e fortifica, a mente, aberta à capacidade de inteligênciacriadora, realiza-se e recria-se, testa e corrige o carácter e senso moraldessa condição.

Ainda mais que, fiquei asaber também, trabalhou numa terra que me enche o imaginário e as sensações!Óbidos! Terra dos meus encantos. Devo ter lá vivido numa outra encarnação! J

Ao autor, Sr. M.C., muitoobrigada por nos escancarar o seu cofre das memórias. Para mim foi umaverdadeira viagem no tempo, a partir da qual irei ver com outros olhos as ruasda nossa pequena cidade e em especial a “rua da minha mãe” e a casa que agora édela!




Quem é a maga rosa?

É uma alma antiga, bruxinha ou alquimista, que sabe que é o sonho que comanda a vida e que o essencial só é visível ao coração, pelo que coloca paixão em tudo o que faz, mesmo que aos olhos dos outros não passe de uma lunática. Quando desce à terra, deita cartas e lê nos astros, enquanto vai espalhando pinceladas de cor e boas energias!

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Comentários recentes

  • maga rosa

    Grata! Beijinhos

  • maga rosa

    A foto é da casa dos fundos, a minha oficina, mas ...

  • Maribel Maia

    Que surja a melhor das escolhas!!!Boa semana!!Beij...

  • Ana D.

    Que linda está a tua casinha com os teus desenhos!...

  • maga rosa

    Grata!

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