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maga rosa

Oficina de artes esotéricas e criativas.

maga rosa

Oficina de artes esotéricas e criativas.

24
Abr20

Quarentena - dia 42

por maga rosa

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Fia o fio fiandeira, fia também a linha da vida…

 

Hoje foi dia de voltar a um trabalho há muito remetido para um canto da oficina. O meu tapete de tiras. O meu tapete feito de retalhos e de roupas sem uso. Estava em pausa mas não esquecido. E hoje o tempo foi dedicado a cortar e coser, até ter um fio tão comprido que dê a volta completa ao tear labiríntico com que teço o meu tapete. Ao meu novelo que vou fiando sem roca, prendo farrapos de esperança e de sonhos com ponto corrido. E é este fio imperfeito que dará vida a um sonho muito mais que perfeito. O de fazer do mundo (ou do meu pequeno mundo), um lugar mais feliz para se viver.

 

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🍀

17
Mai19

A vida é feita de escolhas

por maga rosa

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Este é um móvel, mas não um móvel qualquer. Podia ter escolhido a via mais fácil e usá-lo tal como estava, colocado num canto qualquer nos fundos da casa, para guardar ferramentas. Escolhi dar-lhe uma nova cara, uma nova cor e uma nova vida. Foi-nos dado por uma colega do marido (bem sabem que gosto de aproveitar estas coisas…) e eu escolhi dedicar-me a ele de alma e coração. 

 

Durante o processo de recuperação, nem tudo foram rosas e a uma dada altura houve até uma pontinha de desapontamento, mas depois de quatro camadas de tinta (que afinal se revelou lindíssima), algumas alterações à ideia inicial e outras tantas aplicações, ficou uma bonita peça decorativa e única.

 

Agora, os meus olhos enchem-se de orgulho sempre que passo pelo móvel das bebidas! 

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Mas antes de chegar ao que é agora, houve todo um longo processo de restauro. Vinha com aqueles furinhos típicos do caruncho e mesmo não gostando eu nada de usar venenos, neste caso é mesmo necessário, se não queremos ver a mobília reduzida a pó. No segundo passo tive a ajuda do marido. Usámos as paletes que tínhamos tirado da cerca da horta e fizemos um tampo de reforço, que ele pregou por cima do original e pode ser visto aqui. Reforçou também os pés traseiros com uns pedaços de madeira, porque além de serem frágeis, um deles estava comido pelo bicho da madeira. As paletes revelaram-se muitos úteis e com elas fizemos ainda uns apoios para as garrafas, que pregámos na parte inferior do móvel. 

 

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Lixar. Pintar com primário. Pintar de vermelho. Sentir a frustração de não ser bem aquilo. Reformular a ideia. Pintar mais e mais de vermelho até obter uma cor uniforme. Pintar por cima com branco a “parede” do fundo. Pintar de branco o interior e a frente das gavetas. Pintar o tampo de branco. Lixar. 

 

E chegou a hora que me fez dar pulinhos de contente. Experimentar fazer decoupage, que não é nada mais e nada menos que colar pedaços de papel. Usei guardanapos próprios para o efeito que, felizmente, encontrei à venda em dois pontos aqui da cidade. Numa livraria e numa loja de produtos para artes e que se vendem avulso. 

 

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Para o tampo, rasguei com as mãos pedaços do guardanapo à volta dos motivos florais para dar um aspecto mais natural. Nas prateleiras as folhas foram usadas inteiras. Cada guardanapo tem 3 películas. Retiram-se duas delas e só se cola a exterior e que tem os desenhos. É tão fina que fica transparente depois de colada, o que dá para ver no tampo (o fundo dos desenhos também é branco tal como a tinta usada).

 

 

Usei cola branca que apliquei com um pincel fino. A cola é aplicada na superfície (neste caso a madeira), aplica-se o papel e alisa-se bem de modo a não deixar bolhas. Depois leva mais uma camada de cola por cima.

 

O segredo para uma aplicação perfeita, está em usar um plástico por cima para alisar o papel. Se usar as mãos, já era!

 

Por fim, e depois de deixar secar de um dia para o outro, lixei. Queria dar um ar mais natural e vintage, pelo que o desgaste com a lixa teve esse efeito. Parece até que é pintura.

 

Por último, foi a finalização do tampo pintando (a pincel), a grinalda a preto e a frase. Lixei algumas zonas estratégicas do móvel para dar aquele ar de desgaste.

 

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Com direito a assinatura de autor! 💙

08
Mai19

Como enfrentar a frustração e dar a volta por cima

por maga rosa

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Este é o móvel em processo de acabamento e aquele vermelho cor de vinho tinto, lindíssimo (só na minha cabeça) e que se adivinhava no rótulo la lata de tinta, revelou-se afinal uma desilusão. Por agora! É que eu não sou mulher de baixar os braços e desistir.

 

Reacção do marido: depois de olhar uns looongos segundos (ou seriam minutos?) em silêncio para a minha obra-prima, saiu-se com esta : - “ Podes dar uma camada de amarelo por cima e lixar até se ver um pouco do vermelho…”

 

Só podia estar mesmo muito mau!

 

Reacção da filha mais velha: Com aquele olhar que não engana: -“Estava a gostar tanto do branco, mesmo com as partes mais escuras … (por escuras, entenda-se desgaste na camada de primário já lixado e pronto para receber a tinta). Mas o vermelho também vai ficar bonito depois de levar outra camada. Eu é que gosto de brancos…”

 

Olha, também eu filha! Também eu gosto de pinturas branquinhas, mas a continuar nos brancos deixava de ser a “Maria das cores”!

 

Desta vez quis sair da zona de conforto e arrisquei. Arrisquei tanto que ou aquilo muda ou eu fico aqui com uma aberração, caso insista em manter aquele vermelho-que-era-para-ser-uma-coisa-lindíssima-glamorosa-e-mais-parece-um-vomitado-depois-de-uns-copos-de-tinto-a-mais.

 

“Toura” que se preze não desiste à primeira e nem à segunda (e espero eu que nem em demão nenhuma, porque era sinal que teria de recomeçar tudo de novo, com a agravante de ter de arrancar aquela porcaria toda…)

 

A ver vamos… (que a minha cabeça já anda cá a ter umas ideias para arrematar o dito cujo). ;)

 

 

20
Abr19

A Sexta-feira Santa na oficina

por maga rosa

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A tarde de ontem foi passada na oficina a dar andamento a uma velharia e a produzir uma pequena porta para o jardim das fadas. Arrastei o marido comigo, é que há coisas que ainda não arrisco e uma delas é a usar a serra eléctrica. E convenhamos que trabalhar com companhia é outra história! E duas cabeças pensam mais que uma.

 

Trabalhar numa Sexta-feira Santa? Os meus antepassados devem andar às voltas lá onde se encontram, incrédulos com tamanha imprudência. No tempo deles, (nas zonas rurais pelo menos), os meios dias santos eram sagrados. Faziam tudo o que havia a fazer na manhã de Quinta e depois do meio-dia já ninguém mexia uma palha. Jejuava-se (ou pelos menos não se comia carne). As mulheres sentavam-se no lado de fora das casas com as suas orações. Os homens não faço ideia. Havia um enorme temor pelo castigo divino. De geração em geração transmitiam-se estas tradições e algumas lendas sobre quem desrespeitou o “Senhor”, como o caso de certa mulher que foi caiar a casa e na parede escorreu sangue. Dizem (ou diziam) que era o sangue de Cristo. Sexta à tarde a vida voltava à normalidade (ufa, estou safa!).

 

Por conveniência juntaram-se os dois meios-dias santos num só e passámos a ter o feriado num dia inteiro. Fazia lá algum sentido ir trabalhar só meio dia ali pelo meio quando se pode ter um fim-de-semana prolongado! ;)

 

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Aqui tudo se aproveita. As paletes da vedação da horta serviram para fazer um tampo reforço do móvel (depois conto-vos a sua história e para que vai servir) e para fazer a portinha das fadas.

 

A minha criança interior gosta tanto destas coisas. Na porta estão as memórias e a energia da minha infância, naquele puxador que foi parafuso de um banco da carrinha de caixa aberta do meu pai, onde ele transportava os trabalhadores. Hoje as ripas de madeira são outras, mas os pés do banco ainda cá moram e fazem parte do meu jardim.  

 

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ps. para quem não sabe o que é caiar, é o acto de pintar, mas com cal, uma forma mais barata de pôr as paredes brancas. 

30
Set18

Ensaio sobre madeira

por maga rosa

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Este foi um verdadeiro ensaio, uma vez que comecei sem um plano ou fim idealizado. A única coisa que sabia é que teria de ser um projecto a custo zero. Esta arca foi deixada para trás, entre outros pertences, por uma família que cruzou fronteiras em busca de outros horizontes e tinha como destino o lixo. Teve como ponto de passagem a minha casa e decidi resgatá-la. Os estragos eram visíveis, mas o trabalhado da madeira cativou-me, pelo que decidi dar-lhe uma nova oportunidade. Tinha um pé arrancado (e eu ao pregá-lo, quase que lhe arranquei outro), muitos orifícios provocados pelo bicho da madeira, estragos feitos pela humidade e mais uma série de senãos. É caso para dizer que tinha ali um bico d’obra. O marido achava ser um caso perdido e não valia o esforço. A filha teve voto neutro, porque dizia sim aos desenhos engraçados do exterior, mas não aos estragos e velhice do móvel. Como resultou num empate, de 1 contra 1, assumi o compromisso de forma solitária e com a promessa de usar só os materiais já cá existentes.

 

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E como há sempre um antes e um depois…

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E um durante…

                      …com algumas experiências goradas. E mais camadas de tinta e outras tantas lixadelas. E misturas de cores para dar novos tons. Ensaio que se preze, dá margem ao erro e a experiências novas. É uma tela sempre em renovação nas mãos do criador.  

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…Mas o que eu gosto mesmo é dos detalhes! O todo deixou-me satisfeita, ganhei uma peça decorativa ao estilo Boho Chic. Mas, é nos pormenores que está a graça.

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A cereja em cima do bolo…(neste caso, é mais dentro). O alegre interior em cor-de-laranja (amarelo-torrado para alguns), para dar vida e alegrar a vista sempre que levanto a tampa.

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Missão cumprida!

Menos um móvel deitado no lixo e eu ganhei uma bonita peça decorativa e útil. Uma arca para guardar aquelas roupas que já não usamos mais e esperam por novas oportunidades. E tudo sem gastar dinheiro, porque as tintas foram as sobras de outros trabalhos e os pouco materiais utilizados já os tinha.

 

Se ficou perfeita? Não! Mas é nas imperfeições que está o segredo que torna uma peça única e especial.

 

                                                                 Créditos das fotografias: maga rosa

15
Jul18

Criatividade Nocturna

por maga rosa

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Há noites que teimam em ser dia mesmo que lá fora esteja escuro como breu. E há serões em que me deixo embalar pela criatividade e não há hora para parar. Não sei se é das ausências ou se do silêncio da noite, mas o corpo não quer cama e a mente fervilha. Ontem foi um desses dias, ou noite… Estive entretida com um novo projecto para o lar. Mais um. É só o esboço de uma ideia e como tal, sujeito a alterações e afinações...

 

💜

07
Mar18

O meu ramo de laranjeira

por maga rosa

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Na hora de escolher entre um varão de compra e um ramo do meu quintal, eu preferi mil vezes a segunda opção. Não é que não os tenha cá em casa (varões de metal adquiridos numa superfície comercial), mas este feito a partir de um ramo da minha laranjeira é mais especial e tem outra energia. No momento do corte guardei-o instintivamente, sem finalidade à vista. Quando decidi remodelar o hall, mas mantendo a cortina de trapilhos, aquele tronco rústico, guardado nos confins da minha oficina revelou-se a escolha certa. O hall é um espaço de passagem e nada melhor que a energia daquele pedaço de pau, que durante três décadas fez parte da nossa vida e do nosso quintal, para nos dar as boas vindas sempre que transpomos o arco. E depois, é a sua assimetria que me encanta. E a vida é isso mesmo, uma sucessão de linhas tortas.

 

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 Com paciência e uma boa dose de carinho, lixei toda a superfície e por baixo da casca grossa, revelou-se uma bonita madeira. Alva e macia. Seguindo a sugestão da filha mais nova, retirei a casca de forma irregular e as manchas deram um bonito efeito. No final, a maior parte ficou tapada com o tecido, mas isso não importa.

 

“Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante.”em O Principezinho

 

 

 

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Quem é a maga rosa?

É uma alma antiga, bruxinha ou alquimista, que sabe que é o sonho que comanda a vida e que o essencial só é visível ao coração, pelo que coloca paixão em tudo o que faz, mesmo que aos olhos dos outros não passe de uma lunática. Quando desce à terra, deita cartas e lê nos astros, enquanto vai espalhando pinceladas de cor e boas energias!

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