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maga rosa

Oficina de artes esotéricas e criativas.

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13
Mai16

As experiências de uma ex-peregrina

por maga rosa



Há muitos anos também eufiz parte dos muitos peregrinos que perto do 13 de Maio caminham com destino aFátima. Por quatro anos, nem sempre seguidos, vivi a experiência daperegrinação ao santuário. Três deles, porque ia acompanhar familiares, ouapenas, porque sim.


Ainda adolescentes, eu e aminha irmã, fomos acompanhar a nossa mãe que queria ir pagar uma promessa, ouagradecer à santa, não sei… Saímos de casa de madrugada e seguimos o percursohabitual de quem vai destes lados. A menos de meio caminho tivemos uma baixa. Aminha mãe! Podíamos ter desistido, mas não. O espírito da coisa e o “sangue naguelra” da juventude (como dizia o meu pai), têm muita força. Continuamos asduas ora sozinhas, ora juntando-nos a outros caminhantes. Os nossos paisseguiram-nos na carrinha com os mantimentos e os colchões onde por algumashoras descansámos os corpos doridos, numas instalações cedidas para o efeito,algures lá pelo meio. No segundo dia, ainda de noite, voltámos à estrada eacabámos por encontrar um grupo já acostumado àquelas andanças, que nos guioupor atalhos e na escuridão, em que não se via nem um palmo à frente do nariz.Valeu pela experiência. No ano seguinte elas repetiram, sem mim, masacompanhadas de um grupo de amigos. Correu bem e a minha mãe conseguiu concluiro que a impelia a ir a Fátima a pé.

Nas outras minhas duasaventuras como peregrina e que foram as últimas, numa delas, acompanhei pelasegunda vez aquele que já era meu marido. Jurei para nunca mais. Fizemosdiferente, saímos de casa ainda a noite era uma criança e com isso e com omuito frio que fazia sentimos necessidade de nos abrigar na soleira de umaporta onde sentados e tendo apenas o calor um do outro como conforto,adormecemos. Não se via viva ‘alma naquela terra e o silêncio era absoluto, masmesmo assim e para não sermos surpreendidos ali, voltámos ao caminho. Lá mais àfrente, sonolentos e gelados, procurámos abrigo numa paragem de autocarro, ondedormitámos por algum tempo, enrolados um no outro. Mas até aqui tudo bem e osquilómetros que fizemos a seguir também, até certo ponto…Diria mais, depois dedespertos não havia quem nos apanhasse! Andámos sempre de seguida sem paragense a passo rápido. O pior foi quando eu me vi a ficar com as pernas presas e separava um pouco, ficava ainda com mais dificuldade em recomeçar. Pela hora doalmoço os meus pais foram ao nosso encontro e fizemos um picnic na berma daestrada, onde recuperámos forças e eu apanhei boleia. O marido seguiu sozinho.Grande homem, que percorreu os últimos trinta e tal ou quarenta quilómetros acorrer! Por algum tempo chegou a ter um companheiro de corrida, mas que não lheaguentou a pedalada. E nós, no carro, íamos fazendo paragens e seguindo-o atéao destino. Foi a minha última peregrinação!

Numa vez anterior, e depoisde uma má experiência, fui eu e a minha irmã. As duas sozinhas, mas prevenidascom fruta açucarada e sapatilhas bem folgadas e usadas. Fizemos o percurso emdois dias e pelo meio uma paragem para ir a casa descansar e prepararmo-nospara o dia seguinte. Alguém foi buscar-nos e levar de novo ao ponto em que ficámosna véspera. Correu tudo muito bem e sem bolhas. Fomos pelo espírito deaventura. Valeu o que valeu!

Propositadamente, deixeipara o fim a experiência mais dolorosa de todas, a minha segunda ida a Fátima apé e a única em que fui por uma promessa. Penso que foi tão difícil aperegrinação, como o foi o acontecimento que lhe deu origem. Disse alguém pelocaminho e já a poucos quilómetros do final, que é tão mais custosa a pagaquanto maior for a bênção que obtivemos! Talvez o seja! Cometi a asneira de levarumas sapatilhas a estrear que me fizeram os pés numa bolha só, de ponta a pontae no dia seguinte fiquei de cama com febre. Dessa vez partimos de madrugada e àhora do almoço estávamos a quatro quilómetros do santuário. Nunca aquelesúltimos 4 km me pareceram tão longos. Levámos horas para os percorrer, mas nãodesisti, mesmo tendo quase perdido os sentidos algures ali à beira da estrada.Fui socorrida por um grupo de peregrinos vindos de Lisboa, no qual ia FreiHermano da Câmara. A minha persistência taurina, alimentada pela fé e pelalembrança recente de um dos episódios mais difíceis da minha vida, não mepermitiam desistir. Hoje, quando olho para trás e revejo aquele momento, sintouma ternura imensa por aquele jovem casalito, que debaixo de chuva e abrigadosno mesmo guarda-chuva, ele aparando-a e ela com as lágrimas a correrem pelorosto, pisaram finalmente o chão de destino. Deles emanava um sentimento muitoforte de amor, o mesmo amor que os levou até ali!

Hoje, não arriscaria tantoe nem me submeteria a tal sofrimento. Eu mudei e os meus valores de referênciatambém já não são os mesmos. A Fé continua a existir, mas foi-se deslocandonoutros sentidos. No entanto, não deixo de sentir um enorme respeito por todosos peregrinos, porque também já estive no lugar deles e sei o que os move.



                                                                            Imagem daqui

Quem é a maga rosa?

É uma alma antiga, bruxinha ou alquimista, que sabe que é o sonho que comanda a vida e que o essencial só é visível ao coração, pelo que coloca paixão em tudo o que faz, mesmo que aos olhos dos outros não passe de uma lunática. Quando desce à terra, deita cartas e lê nos astros, enquanto vai espalhando pinceladas de cor e boas energias!

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