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maga rosa

Oficina de artes esotéricas e criativas.

maga rosa

Oficina de artes esotéricas e criativas.

02
Abr20

Quarentena - dia 19

por maga rosa

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Décimo nono dia de isolamento em casa e tudo a acontecer lá fora. É lá fora que se decidem destinos e se traçam estratégias, um pouco em cima do joelho, procurando antecipar-se no tempo e nos acontecimentos. Muitas vezes às cegas, ou olhando para o lado no que toca à prevenção do próximo. Não é fácil, nada disto é fácil. Quando não existem os meios, muitas vezes prefere-se fazer de conta de que não são precisos. O que importa é o todo e cada um que se desenrasque… Somos todos humanos e esta tragédia não veio com livro de instruções, é o que é.

 

A Diana foi recrutada à última da hora e amanhã lá vai ela, entregue a si mesma (é assim em qualquer guerra), para o bem colectivo.

 

Um dia de cada vez. Hoje já é passado. Veremos o que o amanhã nos reserva.

🍀

01
Abr20

Quarentena - dia 18

por maga rosa

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O dia de hoje foi dedicado à cozinha e à comida. E lá foi preciso ir fazer mais umas compras de supermercado… Impressiona-me a velocidade com que a comida desaparece. Felizmente não precisamos de racionalizar os alimentos e dividir uma sardinha por 5 como noutros tempos. Contava o meu pai que, ainda criança e em consequência da 2ª guerra mundial (nasceu em 1940) a alimentação era escassa e obtinha-se através de senhas. Só se podiam comprar as quantidades atribuídas de acordo com o agregado familiar. Um dia ele destruiu as senhas e a sua família ficou sem alimentos, que por si só já eram escassos e sem os benditos papelinhos, passava-se fome a valer…

 

A Diana fez bolachinhas de garfo e eu arroz-doce. Prometido é devido e desta é que foi. Desde o aniversário (a 17) que estava em dívida para com ela. É vê-la a aviar pratinhos de arroz-doce atrás de pratinhos, decorados com canela, em dias de festas e nos outros que se sucedem (quando sobram). 

 

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Resgatei um termo que aqui andava há quase 2 dezenas de anos, guardado nos fundos do armário por falta de utilidade. Este era da sopa e hoje é já uma relíquia, mas nos dias que correm vai dar um jeitão para a filhota Helena poder comer uma refeição quente no local de trabalho, sem precisar de sair.  

 

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E por último, mas mais importante, quero deixar uma palavra de gratidão aos bons vizinhos. Hoje, tocaram-me à campainha e dei por mim a estranhar tal coisa. É que já ninguém nos bate à porta. A rua é um deserto. Fora a música do senhor meu marido, ou os filhos da vizinha do lado a jogarem à bola no quintal, só se ouve o silêncio. E lá fui eu, hesitante, pé ante pé, como se do outro lado da porta tivesse a peste negra prestes a saltar cá para dentro… Mas, só havia um saco de favas. Favas acabadinhas de colher. Verdes como a esperança. O vizinho pousou o saco à nossa porta, tocou à campainha e foi embora. São estas pequenas coisas que nos enchem o coração (e neste caso, o estômago também)! 

 

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🍀

31
Mar20

Quarentena - dia 17

por maga rosa

Quarentena - dia 17.jpg

 

Neste 2º dia da 3ª semana de afastamento social, ocupei o meu tempo sobretudo a sonhar. Sim, a sonhar com as formas do novo desenho que vou pintar brevemente e que será a continuação de uma história já existente aqui nos nossos aposentos…

 

 

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

 

Eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

 

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

 

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonho

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

(António Gedeão)

 

🍀

30
Mar20

Quarentena - dia 16

por maga rosa

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Hoje foi dia dos cinco em casa. Não houve espaço para grandes aventuras, mas deu para aproveitar a fase de quarto crescente da Lua para cortar as pontas do cabelo da Helena, que é mais uma das Rapunzéis cá da casa. E a Milka também ganhou tratamento igual, mas desta vez pela tesoura da dona. Não estamos em tempo de salões de beleza e sim numa fase do “faça-você-mesmo”. Não há máquina e nem curso e aquele pêlo todo dá cá uma trabalheira, mas assim ficou bem mais leve. O despontado e as falhas fazem parte, a Milka não se importa.

Não é nada que eu não faça a mim mesma. Há uns 7 ou 8 anos que as cabeleireiras não me metem as mãos em cima e nem é preciso haver crise. O que vale é que o meu tem ondinhas e mesmo que fique torto nem se nota. E eu tenho pleno controlo do que vai fora e ainda poupo uns euros. 

Quarentena - dia 16a.jpg

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Na foto parece torto, mas ficou mais direito do que aquilo que se vê. Helena, não te fies na aparência da foto! ehehehe 

🍀

29
Mar20

Quarentena - dia 15

por maga rosa

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Hoje foi um dia dedicado à reformulação ou (re)organização dos espaços aqui na casa. Há os que têm de sair para trabalhar e existem os outros (ou seja, nós, o casal progenitor) e que optámos por um isolamento voluntário. E houve necessidade de separar as áreas e de uma organização inteligente de modo a minimizar os riscos que vêm do exterior. Não é fácil. Nada é fácil numa situação como esta onde o inimigo só tem a visibilidade de um microscópio. Dividimos as casas-de-banho. A da entrada fica para o pessoal mais novo, que assim quando passa para cá, já vem lavadinho. A nossa é a do piso de cima. Cada qual com a sua.

 

Nunca mais entrou calçado de rua cá dentro. Fica à entrada. Essa é uma medida de extrema importância. Dizem que o vírus vilão é pesado pelo que se mantém pouco tempo no ar e cai, acabando por vir agarrado às solas. E existem ainda aqueles que gostam de cuspir para o chão. Todo o cuidado é pouco.

 

# Fique em casa! (saia só para o estritamente necessário, e olhe que é muito menos do que pensa!)

 

🍀

28
Mar20

Quarentena - dia 14

por maga rosa

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Gosto do número 14 e do 4 também. Significados à parte, são números que sempre andaram de mãos dadas comigo em momentos importantes. Hoje é o 14º dia de isolamento voluntário aqui no meu pequeno mundo. O 4 está muito ligado à estabilidade e dando uma olhadela rápida ao mapa astrológico do momento, temos a Lua e Vénus em Touro. Mais estabilidade. Para mim, é um vislumbre de esperança. Queiram os deuses que a tal curva estabilize e comece a virar no sentido oposto.

 

Vamos todos enviar boas energias para o universo e pedir para que interceda por nós. Que ele nos ouça e nos alivie a carga e torne a caminhada mais leve. É que a lição está a ser dura…

 

 

Estas rosas da foto são especiais. Foi o genro, sempre amoroso, que as trouxe, uma para cada uma das três mulheres aqui da casa. Já lá vão 20 dias desde o dia da mulher e ainda aqui estão a colorir e embelezar a nossa casa e os nossos dias. Os caules estão cheios de vida com os seus rebentos verdes (que vou tentar que ganhem raízes e transpor para a terra no quintal). Hoje vão para todos aqueles que passarem aqui por este cantinho da maga. Bem hajam  e sintam-se em casa!

 

🍀

26
Mar20

Quarentena - dia 13

por maga rosa

Quarentena - dia 13.jpg

 

Se fosse escrever sobre o dia de hoje teria de falar no pesadelo que me acordou a meio da noite com uma taquicardia, da dor de cabeça que persistiu pelo dia todo, das burocracias e das muitas pesquisas e leituras para tentar entender as leis, que neste momento estão muito confusas… Do outro lado da linha telefónica só se ouvem vozes baixas, arrastadas, que deixam adivinhar um encolher de ombros perante a incapacidade de dar uma resposta assertiva tal é o caos…

 

Mas, prefiro deixar-vos com um poema de esperança escrito pelo grande Mário Quintana, poeta brasileiro.

 

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano

Vive uma louca chamada Esperança

E ela pensa que quando todas as sirenas

Todas as buzinas

Todos os reco-recos tocarem

Atira-se

E

— ó delicioso vôo!

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,

Outra vez criança…

E em torno dela indagará o povo:

— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?

E ela lhes dirá

(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)

Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:

— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

 

 

“Viver é acalentar sonhos e esperanças,

Fazendo da fé a nossa inspiração maior.

É buscar nas pequenas coisas,

Um grande motivo para ser feliz!”

Mario Quintana -

 

🍀

 

 

                     (Foto do meu arquivo pessoal, tirada durante uma viagem a Inglaterra.)

 

Quem é a maga rosa?

É uma alma antiga, bruxinha ou alquimista, que sabe que é o sonho que comanda a vida e que o essencial só é visível ao coração, pelo que coloca paixão em tudo o que faz, mesmo que aos olhos dos outros não passe de uma lunática. Quando desce à terra, deita cartas e lê nos astros, enquanto vai espalhando pinceladas de cor e boas energias!

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